Sustentabilidade

ELA é associada com exposição ocupacional a campos eletromagnéticos

Sensibilidade eletromagnética

A exposição a campos eletromagnéticos no local de trabalho está ligada a um maior risco de desenvolver uma forma grave de doença neuromotora, conforme reportagem publicada pela revista britânica New Scientist.

Este é um campo de pesquisas emergente, que somente começou a se desenvolver com a disseminação das antenas de celulares, que se espalharam pelas cidades, portanto muito próximas às pessoas – e um número crescente delas apresenta a chamada sensibilidade eletromagnética.

Estudos anteriores já demonstraram que as torres de celular podem causar câncer e que também amplificam as dores em amputados.

Mas muitos trabalhadores convivem com esses campos eletromagnéticos há décadas.

Campos eletromagnéticos e Esclerose Lateral Amiotrófica

Os pesquisadores se concentraram em efeitos mais graves, especificamente na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença que devasta as células nervosas do corpo, deixando as pessoas incapazes de controlar seus corpos. As pessoas podem morrer apenas dois anos após o surgimento dos sintomas.

“Vários estudos anteriores constataram que os trabalhadores na área de eletricidade têm maior risco de ELA. Não sabemos por que o risco é maior, mas as duas explicações mais prováveis envolvem choques elétricos ou exposição contínua a campos magnéticos de frequência extremamente baixa,” comentou o Dr. Neil Pearce, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não envolvido diretamente neste novo estudo.

A nova análise, envolvendo mais de 58.000 homens e 6.500 mulheres, sugere que a segunda explicação é a mais provável.

Roel Vermeulen e seus colegas da Universidade de Utrecht (Holanda) descobriram que as pessoas cujo trabalho as expõe a altos níveis de campos magnéticos de baixa frequência são duas vezes mais propensas a desenvolver ELA do que pessoas que nunca tiveram esse tipo de exposição ocupacional.

Os empregos com exposição aos campos eletromagnéticos desse tipo incluem instaladores de linhas elétricas, soldadores, operadores de máquinas de costura e pilotos de aeronaves. “Esses são essencialmente empregos onde os trabalhadores são colocados na proximidade de aparelhos que usam muita eletricidade,” explicou Vermuelen.

Ligação causal?

A equipe enfatiza que este estudo é observacional, ou seja, ele não comprova que os próprios campos eletromagnéticos causam Esclerose Lateral Amiotrófica, apenas que este fator está ligado à probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença – 82 trabalhadores haviam desenvolvido ELA ao final do estudo, um número significativamente maior do que a ocorrência da condição na população como um todo, mas talvez ainda insuficiente para uma conclusão definitiva.

Entretanto, ele fornece a melhor evidência já obtida de que os campos magnéticos podem ser responsáveis pela doença. “Este estudo tem informações muito melhores sobre a exposição a campos magnéticos do que estudos anteriores,” reconhece Pearce. “Isso mostra que o aumento do risco de ELA entre trabalhadores envolvidos com eletricidade é mais provável se dever à exposição ao campo magnético, em vez de se dever aos choques elétricos.”

Os dados foram publicados na revista científica Occupational & Environmental Medicine.

Fonte:New Scientist

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